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Revista Rua Grande

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Artigo - Desindustrialização: ainda há tempo para o debate
Qua, 25 de Janeiro de 2012 15:59

 

Por Alceu Moreira - Deputado federal (PMDB)

Mais grave que as crises cambial e europeia nos deparamos com a crise da desindustrialização no Brasil. Mais avassaladora e com reflexos imensuráveis.Hoje o setor industrial brasileiro busca visivelmente a importação de produtos para suprir a perda da capacidade competitiva, o que reflete na diminuição dos empregos na indústria e na perda da capacidade instalada de produção em diversos setores - têxtil, couro e calçados, celulose, borracha, máquinas e equipamentos, veículos. Além, é claro, da queda mês a mês dos índices de horas trabalhadas.Produtores brasileiros de confecção, por exemplo, estão importando tecidos da China com um custo até 40% menor. Logo, não há razão para produzirem no Brasil se podem comprar ou produzir no exterior.
No dia em que a China, até como reflexo do aumento da classe média, começar a exigir um preço mais elevado e menos competitivo para seus produtos, não teremos de quem comprar e muito menos capacidade para produzir em nosso país, até porque nosso parque industrial pode estar obsoleto.
Para ilustrar esse registro alarmante do rápido processo de desindustrialização que sofremos, em 2010 o valor adicionado da indústria de transformação no Produto Interno Bruto - PIB - representava 15,8%, enquanto em 2005 marcava 18,1%. Na década de 1980 chegou a representar 33% do PIB. No caso dos empregos, em 2010 a indústria empregava 24,4% dos trabalhadores, já em 1985 empregava mais de 30%.E não são poucos os exemplos de processos de desindustrialização que servem de alerta, conhecidos historicamente na Itália, Alemanha e França, nações devastadas por guerras, e recentemente na vizinha Argentina.
O pagamento nesses casos foi deixar escapar entre os dedos avanços sociais adquiridos, cobrando um alto custo de desemprego e inflação.
Precisamos urgentemente cobrar do governo estímulos como vigilância, redução da carga tributária e investimentos profundos em infraestrutura. Ou estaremos sob a pena de amanhã termos uma economia inteira calcada nos commodities, que embora representem quase 50% das exportações brasileiras, são uma espécie de monopólio que deixa o país vinculado a alguns poucos produtos - hoje principalmente milho e soja.São riscos iminentes.
E para não caminharmos rumo ao precipício precisamos que esse debate esteja em voga, pois embora o relógio não pare, ainda há tempo. Ou com mais um ano de desindustrialização nesse ritmo talvez não tenhamos mais condições de retorno.
 

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