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Revista Rua Grande

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Qua, 21 de Dezembro de 2011 13:36

 

Os avanços na segurança 

O ten.-cel. José Nilo Corrêa Alves, 45 anos, é comandante do 25º BPM. Natural de Santana do Livramento, ingressou na Brigada Militar em 1987 e atuou em Novo Hamburgo e São Leopoldo.Em entrevista à RUA GRANDE, o comandante, que tem como filosofia de trabalho o “diálogo, respeito com as pessoas e planejamento das ações”, fala sobre o trabalho da Corporação em São Leopoldo na prevenção e no combate ao crime, além de dar dicas de segurança para comerciantes e consumidores neste período de grande movimentação no comércio.  Em suas horas de lazer, gosta de praticar esportes, especialmente futebol, passear, ler e assistir filmes, preferencialmente os de ação, suspense ou policiais. Quanto à música, é eclético, apreciando todos os estilos, dependendo da situação. 

 

RUA GRANDE - De que forma a Operação Papai Noel está contribuindo para a segurança no movimentado período que antecede o Natal? Até quando a iniciativa estará em prática?
TEN.-CEL JOSÉ NILO CORRÊA ALVES - A Operação Papai Noel é uma ação institucional, desenvolvida pela BM em todo os Estado do início de dezembro até início de janeiro. O objetivo é intensificar as ações de policiamento ostensivo nos locais de maior movimento comercial minimizando, através da presença da polícia, as investidas de delinqüentes que aproveitam-se do grande movimento para furtar ou roubar. 

RG - Quais são os principais cuidados que os comerciantes devem ter para prevenir eventuais delitos neste período de grande fluxo de clientes e dinheiro?
JOSÉ NILO - Alguns cuidados básicos podem, realmente, prevenir situações desagradáveis envolvendo a ações de pessoas mal intencionadas. Para uma maior segurança aos lojistas, vemos como importante a adoção dos seguintes procedimentos:- Evitar o acúmulo de grandes quantias nos caixas das lojas, deixando menos atrativo para eventuais ladrões. Quando do transporte de valores para os bancos, evitar rotinas que possam colocar em risco a operação.- Fora do horário de atendimento deixar acesas algumas luzes internas do estabelecimento a fim de facilitar uma eventual inspeção policial.- Instalar, se possível, um equipamento de vigilância eletrônica como alarmes, câmeras com sensor de presença, etc.- Estar sempre atento ao movimento interno e externo ao estabelecimento e acionar a Brigada Militar através do 190 em caso de necessidade. 

RG - E quanto aos consumidores?
JOSÉ NILO - São algumas recomendações úteis para os consumidores:- Estar sempre atento ao movimento de pessoas ao seu redor. Em caso de suspeitar que está sendo seguido atravesse a rua, entre em algum estabelecimento comercial e solicite a presença da BM.- Não leve consigo grandes quantias em dinheiro, dando preferência para pagamentos com cheque ou cartão, e nunca deixe sua bolsa, carteira e compras largadas de forma descuidada.- Evite estacionar o automóvel em locais de pouco movimento ou mal iluminados e nunca deixe sacolas ou outros objetos de valor visíveis no interior do veículo. Isto pode chamar a atenção de possíveis arrombadores.- Em caso de furto ou qualquer ocorrência policial, não perca tempo: ligue para o 190. 

RG - Este ano, o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) forma sua décima turma. Quantos alunos o programa formou? Quais estudantes participam e que atividades são realizadas no transcorrer do Proerd?
JOSÉ NILO - Neste ano (2011) o 25º BPM formou, em São Leopoldo, 600 alunos no 1º e 400 no 2º semestre, totalizando 1.000 novos jovens proerdianos. O programa é direcionado a crianças ou adolescentes do 5º ano do ensino fundamental de escolas estaduais e municipais que demonstrem interesse em participar, dando-se prioridade para aquelas localizadas em pontos de maior vulnerabilidade social. 

RG - Quais são os resultados obtidos?
JOSÉ NILO - A proposta do PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas) é trabalhar a auto-estima e o culto aos valores sociais, capacitando os alunos a resistirem às situações de risco, no que diz respeito ao envolvimento com drogas ou situações de violência, quando elas se apresentarem. É um investimento de longo prazo que, nos jovens formados nas primeiras turmas (a partir de 1998), verifica-se como sendo de efeitos muito positivos. Na realidade, trabalhamos hoje na prevenção para não termos que, no futuro, trabalharmos na repressão.  

RG - De que forma os pais, em geral, podem contribuir para evitar que seus filhos ingressem no devastador mundo das drogas?
JOSÉ NILO - Através do diálogo constante e do acompanhamento da vida dos jovens. Saber com quem seus filhos andam, onde estão e o que estão fazendo é importantíssimo e decisivo no sentido de impedir qualquer atitude inconseqüente ou identificar sinais do envolvimento com a drogadição.  

RG - O que tem sido feito para combater o tráfico em São Leopoldo? Quais os resultados obtidos?
JOSÉ NILO - O tráfico de drogas em São Leopoldo tem sido combatido de forma intensa através de ações de policiamento ostensivo em que a presença policial inibe a ocorrência dos delitos. Por outro lado, temos mapeados os locais de maior incidência onde ações repressivas são efetuadas pelas guarnições da BM ou em ações integradas com a Polícia Civil e Guarda Municipal. O resultado é um grande número de pessoas presas e drogas apreendidas. 

RG - Quais são as principais características desta modalidade de crime na cidade? Qual é o perfil de quem adere ao tráfico como forma de ganhar dinheiro?
JOSÉ NILO - Verificamos que trata-se de uma modalidade criminosa mais organizada pois é uma verdadeira rede que envolve o fornecedor, o gerente, os vendedores (chamados “aviões”) e mais uma série de delinqüentes com funções específicas no esquema. Normalmente são pessoas que perderam as referências de família e valores sociais, alguns são viciados que dedicam-se ao tráfico para sustentar o próprio vício. O tráfico é uma atividade ilícita que somente existe porque há clientela e em nossa cidade acontece em locais específicos que já recebem atenção da polícia através de investigação e abordagens freqüentes. 

RG - Quais são as principais dificuldades enfrentadas pela Polícia Militar neste enfrentamento?
JOSÉ NILO - Acredito que seja a falta de colaboração da comunidade no que diz respeito a informações e denúncias. Talvez por medo de represálias as pessoas deixem de procurar a polícia e acabam ficando reféns da situação. Esclareço que a identidade das pessoas que denunciam casos de crime sempre são preservadas, sendo que tal contato pode ser feito até de forma anônima através do fone 190 ou 181 (disque-denúncia). 

RG - Que outras modalidades de crime também são preocupantes em São Leopoldo e de que forma a PM está lidando com isso?
JOSÉ NILO - Na realidade, tivemos, nos últimos anos, um decréscimo nos números da grande maioria dos delitos. Foram mais prisões, maior nº de armas apreendidas e a conseqüente diminuição de homicídios, roubos, arrombamentos, entre outros. Podemos exemplificar com os crimes de roubo a banco e latrocínio que não ocorrem há dois anos em nossa cidade. Atualmente estamos trabalhando intensamente, através de monitoramento e presença ostensiva, no que diz respeito ao furto de veículos, ainda considerado elevado. 

RG - Na opinião do senhor, a sensação de segurança da população melhorou em relação a anos anteriores? Por quê?
JOSÉ NILO - Acredito que sim, justamente pela resposta policial que, em uma conjugação de esforços coordenados pelo GGI-M (Gabinete de Gestão Integrada Municipal) conseguiu diminuir os índices estatísticos da grande maioria dos delitos. 

RG - O 25º BPM é uma tradição na cidade e tem prestado valioso serviço de policiamento ostensivo e repressivo. Quais as principais campanhas que a BM realiza todos os verões em nossa comunidade, no período de janeiro e fevereiro, quando parcela da população vai às praias?
JOSÉ NILO - Destacamos, nesta época em que um grande nº de pessoas deixa a cidade em férias, a Operação Férias Tranquilas onde há uma intensificação no patrulhamento dos bairros visando prevenir arrombamentos nas residências vazias. Para facilitar este trabalho, estaremos a partir de logo iniciando um cadastro onde pessoas que vão afastar-se por períodos mais longos podem deixar seus endereços e outras informações úteis ao policiamento ostensivo. 

RG - De que maneira a população poderá ajudar a Brigada Militar, para evitar assaltos, furtos, enfim, danos e violência contra o patrimônio pessoal e contras as pessoas?
JOSÉ NILO - Adotando cuidados simples, mas importantes, com seu patrimônio e estando sempre atentos à movimentação de pessoas estranhas próximas ao seu automóvel ou residência. Em caso de suspeita, sempre solicitar a BM através do 190. Por outro lado, procurando evitar locais de risco e sempre procurando antecipar-se às situações perigosas. 

RG - Uma opinião sobre São Leopoldo.
JOSÉ NILO - Uma cidade excelente pra se morar, de ótima qualidade de vida e pessoas simpáticas e hospitaleiras. Vejo que a cidade está em pleno desenvolvimento e em breve será uma referência estadual e nacional em vários setores. 

RG - O 25 º BPM tem jurisdição nas cidades de Portão e Capela de Santana. Elas apresentam problemas de escassez de policiamento ou estão plenamente supridas por este trabalho ostensivo e repressivo?
JOSÉ NILO - Assim como em São Leopoldo, as frações PM de Portão e Capela de Santana estão com o efetivo abaixo do que seria considerado ideal. No entanto, através de planejamento criterioso do emprego dos recursos humanos e materiais e do esforço em parceria com os outros órgãos de segurança e comunidade em geral, entendemos que o trabalho tem sido desenvolvido de forma satisfatória objetivando sempre o bem estar dos cidadãos. Temos, ainda, a perspectiva de cursos de formação, ao término dos quais alguns novos policiais militares serão, com certeza, acrescidos aos que já trabalham em nossa área. 

RG - Qual a repercussão em São Leopoldo das grandes operações realizadas em favelas do Rio de Janeiro e que acompanhamos pela televisão e mídia impressa?
JOSÉ NILO - Nossa realidade em São Leopoldo, e no Rio Grande do Sul como um todo, é bem diferente daquela. Vejo que devemos aprender com o que está acontecendo e adotar providências que nos levem a um futuro melhor onde as polícias não precisem atuar de forma tão drástica na repressão. Entendo que as ações preventivas serão decisivas para que não cheguemos a vivenciar situações como as observadas no Rio de Janeiro.

Finalizando, agradeço ao meu amigo jornalista Ribeiro Pires e toda a equipe da Revista RUA GRANDE pela oportunidade de me dirigir à comunidade de São Leopoldo e reafirmo nosso propósito de trabalhar em parceria com a comunidade para atingir o objetivo comum que é a segurança pública, essencial para o desenvolvimento em sociedade.

 

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